PALAVRAS DE BRASILEIROS, por Paulo Vasconcelos.
O USO DA COISA. As mil e uma utilidades da palavra "coisa", substantivo que se molda em verbo, adjetivo, etc.
As palavras são nossas coisas ou ferramentas do pensar para maquinar a linguagem e dar força à língua e sua criação. Isso é poético. A linguagem é fruto das peripécias da imaginação, coroada por tradições. E aí aparece o substantivo "coisa", que se molda em verbo, adjetivo, etc. Aliás, é registrado o verbo "coisar" no Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, do Instituto Antônio Houaiss (Rio de Janeiro, 2001).
Observemos alguns fragmentos de expressões de poetas, ou não, anônimos que desenham nossa língua, nos moldes da língua culta ou não, mas que dizem:
Certa vez em Campina Grande (PB), ao perguntar o que era ser poeta a um cordelista, ele falou:
_ Eu sou uma coisa: que canta as coisas deferentemente das coisas, mar não aquelas coisa (sexo).
Ou modos paulistas e mineiros... na coisa:
A coisa chegou e não falou coisa com coisa, mas disse que ia coisar para desfazer a coisa.
(Anônimo, na Feira da Mooca, SP).
A coisa tá feia e aquela coisa num chega pra nos coisar nossas coisa.
(Anônimo, na Feira em Uberlândia, MG).
O nosso grande Manoel de Barros é perito em sua poética ao transfigurar as funções morfológicas e no usa da coisa. A partir de seu livro Retrato do Artista Quando Coisa, 1998, principia assim:
Retrato do Artista quando coisa: borboletas
Já trocam as arvores por mim
Nossa grande poeta Carlos Drummond de Andrade não fica fora:
... Peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é Coisa.
Eu sou a Coisa, coisamente.
(Corpo, Record, 1984)
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
VASCONCELOS, Paulo. Palavras de Brasileiros. Brasileiros. Out. 2011. Edição 51.
*-----*-----*------*-----*-----*------*------*-------*-------*
Este texto é super interessante, por isso, quero compartilhá-lo com vocês! Escrito pela colunista Dad Squarisi da Revista Agitação, publicação de jul/ago de 2011. (AGITAÇÃO, 2011. p. 62-63).
O USO DA COISA. As mil e uma utilidades da palavra "coisa", substantivo que se molda em verbo, adjetivo, etc.
As palavras são nossas coisas ou ferramentas do pensar para maquinar a linguagem e dar força à língua e sua criação. Isso é poético. A linguagem é fruto das peripécias da imaginação, coroada por tradições. E aí aparece o substantivo "coisa", que se molda em verbo, adjetivo, etc. Aliás, é registrado o verbo "coisar" no Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, do Instituto Antônio Houaiss (Rio de Janeiro, 2001).
Observemos alguns fragmentos de expressões de poetas, ou não, anônimos que desenham nossa língua, nos moldes da língua culta ou não, mas que dizem:
Certa vez em Campina Grande (PB), ao perguntar o que era ser poeta a um cordelista, ele falou:
_ Eu sou uma coisa: que canta as coisas deferentemente das coisas, mar não aquelas coisa (sexo).
Ou modos paulistas e mineiros... na coisa:
A coisa chegou e não falou coisa com coisa, mas disse que ia coisar para desfazer a coisa.
(Anônimo, na Feira da Mooca, SP).
A coisa tá feia e aquela coisa num chega pra nos coisar nossas coisa.
(Anônimo, na Feira em Uberlândia, MG).
O nosso grande Manoel de Barros é perito em sua poética ao transfigurar as funções morfológicas e no usa da coisa. A partir de seu livro Retrato do Artista Quando Coisa, 1998, principia assim:
Retrato do Artista quando coisa: borboletas
Já trocam as arvores por mim
Nossa grande poeta Carlos Drummond de Andrade não fica fora:
... Peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é Coisa.
Eu sou a Coisa, coisamente.
(Corpo, Record, 1984)
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
VASCONCELOS, Paulo. Palavras de Brasileiros. Brasileiros. Out. 2011. Edição 51.
*-----*-----*------*-----*-----*------*------*-------*-------*
Este texto é super interessante, por isso, quero compartilhá-lo com vocês! Escrito pela colunista Dad Squarisi da Revista Agitação, publicação de jul/ago de 2011. (AGITAÇÃO, 2011. p. 62-63).
"OUTRAS PALAVRAS
Era uma vez...
Um comerciante do mercado público vendia sardinhas, dourados, tambaquis, pirarucus e surubins. A banca prosperava. Enstusiasmado, ele decidiu inovar. Exibiu esta faixa bem vistosa: 'Hoje vendemos peixe fresco'. Oba! Orgulhoso, perguntou ao vizinho:
- Que tal a novidade?
- É. Está bem. Mas me diga um coisa. Você vende peixe velho? Não? Então pra que o fresco?
O homem apagou o adjetivo. Ficou 'Hoje vendemos peixe'.
- E agora?, indagou interessado.
- Pra que o hoje? Hoje é hoje.
Restou 'Vendemos peixe'.
- Por acaso você dá peixe? Não? O vendemos sobra.
- Pronto. Fica só peixe.
- Pra que peixe? Quem chega vê a mercadoria. Não precisa de anúncio.
Decepcionado, o infeliz arrancou a faixa.
MENOS É MAIS
A história ensina uma lição. Um mundo novo bate à porta. Não é qualquer mundo novo. Trata-se do mundo novo de alta tecnologia. Mais precisamente: o mundo das comunicações. No celular e no Twitter, as mensagens só podem ter 140 caracteres. O que é isso? São 140 toques no computador, contados os espaços. É este tamanho:
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
O miserê se explica. Cada vez mais a gente vai receber e mandar recados pelo celular. Como abrigá-los no visor? A receita é uma só - usar o metro e a tesoura. O metro para medir o tamanho de palavras e frases. A tesoura para cortar as compridonas sem piedade. No caso, vale a regra: pequeno é bom, mas menor é melhor.
MODA ANTIGA
Não é de hoje que a língua enxuta está na moda. Há muito tempo, grandes empresas se preocupam com a economia verbal. Elas precisam se adaptar aos novos tempos pra sobreviver. Por isso passaram da teoria à prática.
Uma das saidas encontradas chama-se LUT.
As três letrinhas são a sigla de lição de um tema. O desafio: os empregados da organização devem ser capazes de explicar qualquer tarefa em um minuto. Todo assunto pode ser objeto de exercício. Como tirar o papel emobalado da impressora? Como ligar o computador? Como preencher o formulário? Como configurar um software? Como escrever e-mails? Como reciclar o lixo? Etc. Etc. Etc.
A tarefa dá trabalho. O poder de síntese não cai do céu, nem salta do inferno. Exige treino, desapego e pão-durismo. É como escrever um telegrama. A gente paga por palavra. Com a grana curta e a sensibilidade do corpo, a regra número 1 é cultivar a economia verbal. Prepare a tesoura.
XÔ, FALAÇÃO
Vamos submeter este texto a lipoaspiração? Lápis na mão, leia-o três vezes. Assinale as palavras que podem cair fora. Depois, corte-as. Por fim, reescreva a mensagem enxutinha, enxutinha:
Como todo mundo deve saber, hoje em dia todos os profissionais devem tentar escrever suas mensagens diárias com substantivos fortes e verbos precisos. Devem se esforçar o máximo possível para livrar-se de adjetivos, advérbios e os muitos penduricalhos.
Ops! Quanta falação!
O excesso pune o leitor duas vezes. Uma: obriga a gastar mais tempo na leitura. A outra: esconde a ideia central. Vamos à operação limpeza? Ela segue três passos - cortar, cortar, cortar. Mãos à obra:
1. Ora, se todo mundo sabe, não precisa dizer. Vem tesoura:
Hoje em dia todos os profissionais devem tentar escrever suas mensagens diárias com substantivos fortes e verbos precisos. Devem se esforçar o máximo possível para livrar-se de adjetivos, advérbios e os muitos penduricalhos.
2. Os psicólogos são claros. Quem tenta não faz. Vai fazer? Deixe o tentar pra lá:
hoje em dia todos os profissionais devem escrever suas mensagens diárias com substantivos fortes e verbos precisos. Devem se esforçar o máximo possível para livrar-se de adjetivos, advérbios e os muitos penduricalhos.
3. As palavras essenciais são os substantivos e verbos. São eles que dão o recado. Adjetivos, advérbios e certos pronomes merecem cartão vermelho:
Os profissionais devem escrever suas mensagens diárias com substantivos e verbos. Devem se esforçar para livrar-se de adjetivos, advérbios e penduricalhos.
4. Não paremos aí. O texto é uma ordem. Que tal dar-lhe a forma imperativa?
Profissionais, escrevam mensagens com substantivos e verbos. Livrem-se de adjetivos, advérbios e penduricalhos.
5. Quer mais? Vá em frente. O singular no vocativo poupa letras:
Profissional, escreva mensagens com substantivos e verbos. Livre-se de adjetivos, advérbios e penduricalhos.
6. Que tal cortar as últimas gorduras? Há jeito:
Profissional, escreva mensagens com substantivos e verbos - sem adjetivos, advérbios e penduricalhos.
Ufa!
CINCO DICAS ÚTEIS
1. Passe a tesoura em palavras e expressões desnecessárias:
(Acho que) o Plano Nacional de Seguraça Pública tem falhas.
Ato (de natureza) sentimental.
Lei (de alcance) federal.
Decisão (tomada no âmbito) da diretoria.
Curso (em nível) de pós-graduação.
(Casos de) assédio sexual.
2. Casse os substantivos dia, mês e ano:
em 21 de agosto (no dia 21 de agosto)
em junho (no mês de junho)
em 2011 (no ano de 2011)
3. Substitua a locução ou oração adjetiva por adjetivo:
atos bélicos (atos de guerra)
pessoa indiscreta (pessoa sem discrição)
animal carnívoro (animal que se alimenta de carne)
cafeicultor (pessoa que planta café)
criança mal-educada (criança sem educação)
4. Mande o que + verbo ser pras cucuias:
Itamar Franco, (que foi) governador de Minas, nasceu na Bahia.
Jacó amou Raquel, (que era) a filha mais nova de Labão.
Miguel Arraes, (que foi) cassado pelo regime militar, governou Pernambuco.
5. Troque a locução verbo + substantivo pelo verbo:
viajar (fazer uma viagem)
compor (fazer música)
ajudar (dar ajuda)
programar (fazer o programa)
ordenar (pôr as ideias em ordem)
cumprir (dar cumprimento a ordem)
selar (colocar selo na carta)
emitir (pôr moedas em circulação)
MORAL DA HISTÓRIA
Menos é mais. Economizar palavras pupa tempo, espaço e a paciência do leitor."
CINCO DICAS ÚTEIS
1. Passe a tesoura em palavras e expressões desnecessárias:
(Acho que) o Plano Nacional de Seguraça Pública tem falhas.
Ato (de natureza) sentimental.
Lei (de alcance) federal.
Decisão (tomada no âmbito) da diretoria.
Curso (em nível) de pós-graduação.
(Casos de) assédio sexual.
2. Casse os substantivos dia, mês e ano:
em 21 de agosto (no dia 21 de agosto)
em junho (no mês de junho)
em 2011 (no ano de 2011)
3. Substitua a locução ou oração adjetiva por adjetivo:
atos bélicos (atos de guerra)
pessoa indiscreta (pessoa sem discrição)
animal carnívoro (animal que se alimenta de carne)
cafeicultor (pessoa que planta café)
criança mal-educada (criança sem educação)
4. Mande o que + verbo ser pras cucuias:
Itamar Franco, (que foi) governador de Minas, nasceu na Bahia.
Jacó amou Raquel, (que era) a filha mais nova de Labão.
Miguel Arraes, (que foi) cassado pelo regime militar, governou Pernambuco.
5. Troque a locução verbo + substantivo pelo verbo:
viajar (fazer uma viagem)
compor (fazer música)
ajudar (dar ajuda)
programar (fazer o programa)
ordenar (pôr as ideias em ordem)
cumprir (dar cumprimento a ordem)
selar (colocar selo na carta)
emitir (pôr moedas em circulação)
MORAL DA HISTÓRIA
Menos é mais. Economizar palavras pupa tempo, espaço e a paciência do leitor."
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
SQUARISI, Dad. Outras Palavras. in Agitação. São Paulo. jul/ago 2011.
*---*----*----*----*----*----*----*----*----*
Este BLOG foi criado, para funcionar como consulta, sobre diversos assuntos relacionados à Língua Portuguesa. Destinado aos meus amigos que sempre me consultam, a estudantes de Curso Superior, Ensino Médio e Fundamental, em especial do Curso de Letras, entre outros. Enfim, a todos que quiserem saber mais sobre nossa língua ou tirar dúvidas! Estarei sempre postando algo sobre dicas de gramática, literatura, metodologia científica, livros, etc.
Espero poder ajudá-los de alguma maneira!
Eliana da Silva - formada em Letras pelas Faculdades Claretianas de Batatais/SP - CEUCLAR -